“O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, e contemplá-lo em sua liberérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dado. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece seu nome”.
Hélio Pellegrino
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Fênix.
Ela insiste na idéia frustrada de ser a fênix, para ressurgir das cinzas. Não tem jeito. Para sempre permanecerá queimada, já que não lhe foi dado o poder de regeneração. E talvez nem de novo nascendo. Ela lembra dos momentos turbulentos e finge que nada se passou, enquanto que eu calcifiquei a idéia de que não preciso de nova tuburlência e tormenta. A calmaria se restituiu, e atar os laços já desfeitos, seria invocar a tempestade, abrir as portas para deixar que a minha almejada tranquilidade vá-se embora, sem esperança de retorno. Trazer-te para minha vida novamente seria meu suicídio planejado, uma loucura sem perdão. É por isso que cuido da distância. Quero-te o mais longe possível de mim. Se longe, mais longe ainda. Neste caso, quilômetros a mais são sinônimo de prosperidade. Vida longa então.
Opinião ?
Há comentários desnecessários, assim como opiniões construtivas. Há quem pense antes de falar e quem fale sem pensar. Mas eu alerto antes que aquela asneira seja dita e se torne irremediável. Lembre-se que nem sempre as desculpas são aceitas. As vezes o perdão não é dado. Resta somente a amargura e o arrependimento.
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